quarta-feira, 9 de novembro de 2011

EDDYLENE NA ILHA DE CARAS PARTE 5


A impressão de ser assassinada a qualquer momento era iminente e não me saía da cabeça. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde alguém do Grupo iria me procurar pedindo satisfações pela mensagem animada, e eu, claro, não teria resposta alguma para dar e seria humilhada e escorraçada em público como ele havia mencionado anteriormente. Talvez me queimassem presa a um toco de árvore qualquer gritando “Queima a bruxa!!”

Resolvi deixar rolar, mesmo porque, se alguém me perguntasse ou pedisse explicações sobre o ocorrido, eu simplesmente iria dizer que recebi uma ligação de um número qualquer pedindo para que fizesse essa gentileza. Pronto, minha situação estava resolvida. Agora era só aproveitar as delícias do sol e do mar junto com a maníaca compulsiva da Bila.

Nos aproximamos de uma rodinha onde estavam Hebe Camargo, comendo um sanduíche de mortadela bolonhela, Lolita Rodriguez, Glória Maria, contando como foi ver Tancredo Neves sendo assassinado logo a sua frente dentro da igreja, Narciza Tamborindeguy, colocada ao extremo contando pela décima vez como é seu banheiro da Inovation, Lucilia Diniz, muda já que só é rica e não tem nada para falar que interesse a ninguém, Bety Szafir, falando mal horrores de Xuxa, e Marluce, a babadeira da Globo confidenciando a todas elas quem seria demitido nesse ano. Quando cheguei, todas se aproximaram curiosas para verem minha reação após ter provocado a morte de Morgana. Eu, muito comedida, sentei-me e desabafei.

- Sabe, certa vez um monge tibetano me disse durante um certo chá da tarde: “adolai, balai a cheb...’

Todas se entreolharam e abaixaram suas cabeças como quem prestasse respeito às palavras que eu disse, como se aquela frase fosse um ensinamento milenar e merecesse a devida prostração. O que elas não sabiam é que essa frase eu escutava quando uma amiga que era gerente da loja que eu trabalhava entrava em transe na igreja Universal (quando o Pastor dizia que crente que é crente fala línguas estranhas. Alguns falavam textos inteiros, mas minha amiga só sabia essa frase, que na verdade acho que ela inventou).



“Adolai, balai a cheb!!!”. Santa frase.

CONTINUA...

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