quarta-feira, 9 de novembro de 2011

EDDYLENE NA ILHA DE CARAS PARTE 4


Avistei a Presidente em uma mesa e fui andando em sua direção, foi quando percebi o olhar de desprezo que ela me lançou, aquele tipo de olhada que te reduz a uma prostituta terminal na maca do hospital da Posse em Nova Iguaçu. Eu, nervosa, só tive tempo de pensar em uma idéia louca. Catei um cardápio no caminho e parei ao lado dela. A mesa toda calou-se e houve um súbito mal estar entre as mulheres que compunham os 12 lugares e emolduravam a bela mesa com um buquê de quase 2 metros de altura cheio de plantas da Mata Atlântica. Olhei para ela e li um texto que nem existia: (tudo em negrito, no meu pensamento)

“Que furada hein Morgana? Que nome é esse? rsrsrs Achou que era sério? E foi, rsrsrs Quantos e quantos anos você trabalhou para chegar onde chegou? Sua puta que deve ter dado pra tudo quanto foi diretor... Mas enfim está sendo recompensada minha querida!!! Tudo o que a empresa é hoje, é graças a você, pelo seu trabalho, sua xoxota quente, suas noites mal dormidas, seu empenho e criatividade. Cada fragrância, todas uó, cada embalagem, o erro, cada tonalidade, nem lembro as cores, não acontecem sem seu aval, porque confiamos em você, na sua perspicácia e inteligência, quenda, se sentindo a cacura!!! E por isso e muito mais, o Grupo Seda enviou essa amorosa, simpática, talentosa, belíssima, estonteante, charmosa, monumental (chega, Eddylene) e carismática atriz, para agradecer por tantos anos de serviços em prol da beleza feminina.

Tô salva!!!!! E comecei a cantar ‘O Happy Day’.

Morgana levantou-se junto com todos os presentes que aplaudiam exaltados e me olhavam com admiração, segurou em minha mão chorando de emoção e desmaiou em meus braços sofrendo de um enfarto agudo do miocárdio... PUTA QUE PARIU!!!!

O helicóptero da AMIL chegou em apenas cinco minutos, me fazendo lembrar de uma crise renal que tive uma vez em um pagode em Quintiano Bocaiúva e fiquei três horas num ponto de ônibus para no final ir até o pronto-socorro na carroça do lixo com um cachorro me lambendo e o dono da carroça me alisando. Mas tudo bem, cada um tem seu carma. Algumas horas depois uma senhora muito bonita e elegante deu a notícia: Morgana havia morrido...

Sabe quando tudo resolve desabar em sua cabeça? Pois é, me senti assim, Bila sequer se dava conta do que estava acontecendo, agarrada em um prato de maionese de atum salmonado.

Para minha surpresa e alívio, o vice-presidente do Grupo Seda veio a minha mesa e me disse em um tom suave: - Não se culpe, minha cara, ela se foi feliz. A culpa é de quem mandou a mensagem já que todos na empresa sabiam que ela sofria do coração. Essa sim é a culpada da morte de Morgana Manfredine. Essa sim teremos que humilhar e desclassificar até que ela morra de tanto desgosto. Uma pessoa dessa não merece viver, não merece a paz, não merece estar entre nós. Essa pessoa tem que sumir do mapa. E saiu como se nada tivesse acontecido.

CONTINUA...

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